quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O cônjuge como um caminho para Deus

 

Nossa salvação está unida ao outro e vem por meio do outro

             O encontro de duas pessoas em Deus – por intermédio da oração ou da vivência religiosa compartilhada – é uma das formas mais ricas e profundas de encontrar-se, já que estamos diante de Deus, com melhor que cada um possui. Diante do Senhor nos desprendemos de tudo o que normalmente dificulta o encontro e vamos assumindo com mais objetividade a atitude compreensiva, benigna e compassiva do amor de Deus.
             A união de duas pessoas pelo sacramento do matrimônio abre a eles uma nova possibilidade de amor sobrenatural: o cônjuge como um caminho para Deus, como lugar de encontro com Deus. No momento solene das bodas, Cristo diz a cada um: Eu, desde agora, vou te amar especialmente através do cônjuge, vou convertê-lo em santuário do meu encontro contigo. E com isso me deixa o grande desafio de buscar ao Senhor no coração do outro onde desde agora está me esperando, de descobrir o rosto de Cristo no rosto do meu cônjuge, de acolher seu amor como transparente e reflexo do amor divino. Em contrapartida, eu devo ser Cristo para o outro, dar a ele o amor, a luz e a força que necessita para crescer e chegar até Deus. E assim cada um se aceita e se doa ao outro como lugar privilegiado de encontro com o Senhor.

            Por isso, em todo matrimônio cristão está sempre Deus como terceiro, quem faz de ponte e laço de união entre os cônjuges. E precisamente quando Deus não ocupa esse lugar dentro do matrimônio, então há sempre lugar para outro terceiro, que destrói a aliança matrimonial.
O matrimônio é uma comunidade de salvação unida por um vínculo sobrenatural. O amor de Cristo e Maria selam nosso amor. Estamos unidos como a videira e os brotos. Nossa salvação está unida ao outro e vem por meio do outro. Minha santidade repercute no outro, meu pecado também.

             Tão profunda é essa aliança [matrimonial] e esse conhecimento mútuo que os esposos deveriam chegar a ser diretores espirituais um do outro. Tanto se conhecem que podem ajudar ao outro em seu caminho de santidade. Essa aliança de amor se dá entre os esposos e dos esposos com Deus. Por isso é comunidade de salvação, de amor, vida e tarefas com Cristo e Maria.
            Compartilhamos sua missão e junto com eles caminhamos para Deus Pai. Em caso que os contraentes humanos entrem em crise o terceiro os ampara. Cristo carrega com eles o matrimônio.
Depois de nossa consagração a Virgem ela também começa a ser uma aliada e nos ajuda no caminho. Ela também nos ampara.
                O que dissemos sobre o matrimônio vale para todos os membros da família: pais, filhos, irmãos... Cada um é Cristo para os demais, reflexo do Senhor. Cada um é e há de ser, para o outro, um caminho para o Senhor, caminho privilegiado de amor a Ele.

                Nisso encontramos o sentido da aliança matrimonial e o sentido da aliança familiar: Todos juntos, unidos e aliados com a Virgem Maria, caminhamos para Deus. Todos juntos, nos amando mutuamente como ao Senhor, nos consagramos a Maria e, mediante ela, nos entregamos para sempre a Deus.
Queridos irmãos, se nos deixamos educar e guiar pela Virgem Maria, então a aliança com ela é como uma grande escola de amor. Nela aprendemos a amar para percorrer os caminhos do amor divino e chegar ao coração do Pai. E é assim que se tornará realidade em nossa vida a aliança com Deus.

Padre Nicolás Schwizer
Movimento apostólico Shoenstatt

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

A sua ideia de amor vem de Deus ou das novelas?

Muitas pessoas se afastam do amor verdadeiro porque acham que ele deve ser alguma coisa parecida com as histórias românticas retratadas nas novelas ou em filmes de Hollywood. “Ele/ela não me faz feliz do jeito que eu sonhava”… “Eu não tive aquela sensação intensa e clara de que ele/ela era a pessoa da minha vida”…

A nossa sociedade parece dizer que um belo dia nós vamos acordar e ver um arco-íris por cima da nossa cama, levando-nos ao encontro da “pessoa da nossa vida”. Esses devaneios que caem por terra depois do choque de realidade do casamento também levam muitos solteiros a se casar pelas razões erradas. “Eu sinto que ele/ela é a pessoa da minha vida”… “Eu não sei viver sem ele/ela”…

Tudo isto são sentimentos arrebatadores e maravilhosos. Mas não passam disso mesmo: meros sentimentos.

Que tal fazermos algumas reflexões simples para distinguir se a nossa ideia de amor vem de Deus ou das novelas?

1. Os sentimentos não são a realidade.

No mesmo instante em que os sentimentos vão embora, é muito fácil começarmos a duvidar. “Um relacionamento bom não pode ser tão difícil como este”… “O relacionamento deveria estar me fazendo feliz”… O papa Francisco nos disse: “Você não pode basear um casamento em sentimentos que vêm e vão. O casamento tem que se alicerçar na rocha do amor verdadeiro, do amor que vem de Deus”. Nós temos que fundamentar a nossa decisão de nos casar em uma sólida reflexão, que inclui pensar com objetividade se aquela pessoa nos desafia a ser melhores ou não.

2. Será que você não está apaixonado por você mesmo?

Se todo ato que realizamos se baseia em nossos caprichos e desejos, e se nós esperamos que alguém se apaixone pelo nosso egoísmo, está na hora de pensarmos melhor. O amor verdadeiro não é sinônimo de obter tudo aquilo que queremos. Não podemos esperar que o nosso cônjuge seja um pôster que se encaixe perfeitamente na nossa moldura pré-fabricada.

3. Mas então, o que é o verdadeiro amor?

O verdadeiro amor é sinônimo de sacrifício pessoal. São João Paulo II dizia que “o amor entre um homem e uma mulher não pode ser construído sem sacrifícios e abnegação pessoal”. O escritor Matthew Kelly acrescenta que “o amor é uma vontade de adaptar os nossos planos pessoais, desejos e compromissos ao bem do relacionamento. Amor é gratificação adiada. Amor é dor. Amor é ter a capacidade de viver e de prosperar sozinho e, mesmo assim, escolher estar junto”.

Todo relacionamento passa por alguma turbulência. O Catecismo nos diz que “o mal se faz sentir nas relações entre o homem e a mulher. A desordem que percebemos tão dolorosamente não decorre da natureza do homem e da mulher, nem da natureza das suas relações, mas sim do pecado original”. Nós precisamos, é claro, discernir qual é o grau de desordem presente em nosso relacionamento. Mas a desordem se manifesta, em alguma medida, inclusive nos relacionamentos mais sadios.

O problema pode ser, portanto, o pecado, e não o relacionamento em si. Tendemos a nos precipitar e a concluir que, se um relacionamento tem problemas, é porque o próprio relacionamento é um problema. Às vezes, pode não valer a pena continuar uma relação. Mas, num relacionamento sadio e vivido de acordo com Deus, alguns problemas são normais porque o pecado se manifesta em todas as relações. Todo relacionamento tem seus altos e baixos.

Surpreendentemente, o verdadeiro amor inclui o sofrimento. Matthew Kelly pergunta: “Você está disposto a sofrer por amor? Quanto você está disposto a sofrer para ter um relacionamento maravilhoso de verdade? Você está preparado para deixar de lado todos os seus caprichos, desejos e fantasias e ir atrás de algo maior?” Os relacionamentos não têm muita coisa a ver com a ideia de sermos perfeitos e felizes o tempo todo, e sim com a necessidade de sabermos perdoar. O papa Francisco nos lembra que “ninguém é perfeito. A chave para a felicidade é o perdão”.

“Casamento é trabalho e é um compromisso para toda a vida”, acrescenta o papa. “De certa forma, é como ser um ourives, porque o marido torna a sua esposa mais mulher e ela, por sua vez, deve tornar o marido um homem melhor”. Uma queixa comum é que um cônjuge está sempre tentando “mudar” o outro. A mudança é boa se nos torna mais santos. Por exemplo, pedir ao outro para beber menos em encontros sociais pode ser entendido como uma tentativa de forçar uma mudança indesejada, mas essa mudança é boa, porque nos torna pessoas melhores.

4. Por que casar se o casamento envolve sofrimento e trabalho?

Porque o casamento nos ajuda a ser pessoas melhores. O casamento nos ajuda a superar a própria absorção, o egoísmo, a busca do prazer individualista; ajuda a nos abrirmos ao outro, incentiva e exige o apoio mútuo e o dom de nós mesmos, como nos ensina o Catecismo.

“Queridos jovens, não tenham medo de se casar. Um casamento fiel e fecundo vai lhes trazer felicidade”, incentiva, de novo, o papa Francisco. Em última análise, o casamento com um cônjuge que é o seu melhor amigo e que compartilha do seu amor por Deus vai lhe trazer felicidade mesmo em meio ao sofrimento e ao trabalho.

Que tal examinarmos de maneira sincera o grau de realidade da nossa ideia de amor? O nosso ponto de vista sobre o amor verdadeiro, afinal, vem de Deus ou das novelas?

Por: Emily Brandenburg

Publicado em Aleteia

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Amar é tão simples. As pessoas é que complicam.

 

Não é o amor que sustenta o relacionamento, é o modo de se relacionar que sustenta o amor

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Amar é tão simples. As pessoas é que complicam, as pessoas é que idealizam demais e esquecem de viver a realidade que, por mais complicada que possa parecer, continua linda de viver. As pessoas se esquecem de que o amor precisa ser alimentado não com presentes e jantares caros. Não, o amor não precisa ser financiado para se manter.

O problema é que as pessoas se esquecem do chocolate favorito quando vão ao mercado, se esquecem de que aquela camiseta do Star Wars vai fazer o coração do outro bater mais forte e que o sorriso vai ser desenhado aos poucos em seu rosto como quem diz obrigada.

As pessoas se esquecem da cor favorita, da sobremesa preferida, se esquecem de que um filme de comédia romântica, em um final de tarde no domingo, faz bem. As pessoas se esquecem de elogiar aquele vestido novo, de dizer o quanto está linda naquele pijama velho que a deixa ainda mais bonita.

As pessoas se esquecem da importância de assistir um jogo de futebol com o parceiro, de gritar com ele quando o seu time faz um gol e de vibrar com os “quase” gols.

As pessoas se esquecem de tirar um tempo de qualidade para escutar o outro. As pessoas se esquecem de dar uma flor dessas que a gente rouba do quintal dos outros (risos). De elogiar o perfume novo e de dizer aos pés do ouvido o quanto ama esse alguém.

Não precisa de buquê no trabalho, não precisa levar para jantar em um restaurante caro, não precisa encher de joias, comprar presentes caros. Não precisa disso para manter a chama do amor acesa. Não é isso que faz pegar fogo.

Um beijo na testa faz o coração de qualquer mulher se acalmar, um abraço quando as coisas não estão bem faz com que a gente se sinta protegido e assistir aquele filme que o outro tanto quer, também sabe agradar.

Beijos ao pé da orelha causam arrepios e o toque sincero faz o corpo balançar. O problema é que as pessoas são intensas demais no começo de um relacionamento e fazem de tudo para conquistar o outro, mas não sabem como lidar com todo o sentimento que, às vezes – na maioria das vezes – parece não caber dentro da gente.

E aí vem os inúmeros presentes, os inúmeros agrados, os inúmeros elogios e depois de um tempo, a insegurança vai embora e a gente se esquece de que é preciso conquistar todos os dias. Mas isso, ao contrário do que muita gente pensa, não é um fardo, obrigação e está longe de ser um sacrifício.

É a simplicidade que emociona, é o beijo de bom dia, é o “sonhei com você”, é o elogio sincero e inesperado, é o cuidado, é fazer aquele mousse de maracujá, preparar uma janta em casa mesmo e dizer: “Só tinha ovos, fiz um omelete delicioso pra nós dois. Espero que goste”. Um recado deixado no meio dos seus livros é o suficiente para fazer o nosso coração sorrir.

Vai, manda um SMS no meio da tarde dizendo que não consegue parar de pensar nele, compra o seu chocolate favorito e aparece de surpresa. Vai, compra uma rosa – não um buquê- e deixa um bilhete dizendo o quanto você a ama.

Não deixe cair na mesmice, continue fazendo aquele belo sorriso brotar, aqueles lindos olhos brilharem. Vai, continua fazendo aquele corpo balançar com o teu toque. Vai, mantém essa chama acesa e deixe incendiar. O amor se alegra com a simplicidade e são as pequenas coisas que fazem o nosso coração sorrir sem medo, como quem tem alguém ao seu lado querendo fazer morada.